Munir El Hage

Fotógrafo baseado no Litoral Norte Paulista fala de sua carreira nos action sports.

por Redação Almasurf, 09/03/2017
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Dono de um estilo próprio de olhar o mundo por trás das lentes, Munir El Hage, 44 anos, tem hoje o seu trabalho enraizado ao lado dos melhores fotógrafos do Brasil e do mundo.

Surfista, fotógrafo e filho de libaneses fugidos da guerra no começo dos anos 1950, ele mantém em seu currículo passagem pelas maiores revistas de surf do país, além de registro de muitos eventos de extreme sports.

A paixão pela foto começou aos 17 anos, época que fotografava em troca de estadias para trabalhar, ganhar experiência e, claro, surfar. Neste mesmo período, Munir El Hage ingressou na faculdade de Comunicação Social com intuito de aprender ainda mais sobre o ofício que escolhera.

Surfista desde criança, era inevitável não direcionar as lentes para a modalidade que mais cresce no Brasil e, que hoje, acumula dois títulos mundiais, conquistados por Gabriel Medina e Adriano de Souza. O ingresso ao mundo profissional da fotografia teve o incentivo do amigo José Carlos Rennó, mais conhecido como Zecão, surfista das antigas e um “snowborder” de primeira linha.

No universo da fotografia Munir diz admirar o trabalho de outro grande fotógrafo, Sebastian Rojas, e o considera o “Kelly Slater” da fotografia.

O portal InnerSport teve uma conversa com este profissional que anda fascinado pelo mundo da navegação, aposta no bicampeonato de Gabriel Medina em 2017 e, que tem como paixão, “congelar” a natureza por meio dos seus cliques. Abaixo, conheça um pouco mais sobre, e quem é Munir El Hage.

Já recebeu algum prêmio com a fotografia?

Na fotografia que eu me lembre até o momento nenhum. Recebi alguns prêmios com o filme Ohana Pupo, lançado em 2008. O documentário retratou a trajetória do surfista profissional e shaper Wagner Pupo. Um trabalho que fiz com muito gosto.

Fora o surf, o que também te chama atenção na hora do clique?

A natureza me chama muito a atenção. É algo que me atrai e que me dedico bastante também. Fotografar a natureza me acalma. Acho incrível poder mostrar para as pessoas toda a beleza dos vários tipos de vida que este planeta tem. Queria ganhar para viver só disso (risos).

O gosto pela arte de fotografar surgiu como e há quanto tempo?

Surgiu cedo, quando eu tinha 17 anos. Mesma época em que entrava na faculdade de comunicação social. Foi tudo sem querer (risos), eu tinha prestado Direito. Ali começou minha paixão pela fotografia.

O que te levou a seguir o caminho de fotos de esportes radicais?

Acho que foi um caminho natural. Eu já pegava onda quando comecei a fotografar surf. Foi tudo acontecendo como se o meu destino já estivesse traçado. Naquela época – trabalhar com filme, revelação, ampliação… – se contavam nos dedos os fotógrafos de surf. Então, fui clicando e conquistando meu espaço.

Por que o surf?

Porque foi é a grande paixão da minha vida. Acho que é mais fácil fazer a seguinte pergunta: porque o surf me escolheu? Acho que surfista já nasce surfista.

A paixão pela fotografia surgiu aos 17 anos, na faculdade, isso já sabemos. A paixão pelo surf surgiu em que ano?

Com 11 anos de idade estava com um primo em Caraguatatuba, litoral norte de São Paulo, e tínhamos um morey de fibra de vidro que era da namorada de outro primo mais velho que levava a gente para a praia nas férias e nos fim de semana. Aí, inventamos uma competição e, em um determinado momento, fiquei de joelhos. Aí, meu primo também ficou e na minha outra vez eu fiquei em pé. Aquele momento mudou tudo na minha vida. Só queria ser surfista… (risos)

Quais foram os picos que você mais gostou de fotografar?

Tem muitos, mas a que mais me marcou foi a trip que fiz com o Picuruta e Almir Salazar para a Costa Rica, em 1996. Alí, além de boas ondas e muitas risadas, foi a minha primeira matéria na (revista) Fluir.

Qual foi a melhor trip como fotógrafo?

Sem dúvidas os registros que fiz em Pauba, Fiji e Indonésia.

Ser surfista facilita na hora de fazer as fotos? Você consegue prever a manobra que o atleta executará, fica mais fácil na hora do clique?

Com certeza facilita na hora do clique se você tiver uma base de surf. Acho legal também você conhecer o atleta que está fotografando. Isso facilita ainda mais na hora de fotografar.

Em 2016, você fotografou algumas etapas do WSL? Quais foram?

Eu registro o Circuito Hang Loose Surf Attack há 11 anos, também fotografo o circuito paulistano amador, SP Contest, há 10 anos. Agora, na etapa de Fiji de 2016 do WSL, eu fui sem a pressão do trabalho, sem compromisso. Estava mais como torcedor do que fotógrafo. Mas como todo bom fotógrafo, acabei registrando alguns momentos alucinantes, principalmente um caldo que o Kelly Slater teve numa esquerdona.

Arrisca um palpite de quem será o “brazilian storm” desta temporada?

Bom, no Qualifying Series (QS) acho que Samuel Pupo e Yago Dora carimbam seus passaportes da alegria para a World Surf League (WSL) e, no WSL, acho que o Medina vai ser bicampeão mundial.

Como você enxerga o futuro da fotografia em geral, de esportes de ação e do surfe? O que vem por aí?

Acho que na fotografia a busca será sempre incansável de novos ângulos e a tecnologia vai se superar a cada ano, produzindo equipamentos para buscar sempre o melhor da imagem. O mercado de fotos de surf mudou muito. Hoje, praticamente não existe. As marcas patrocinam atletas que bombam seus Instagram com fotos que ganham de fotógrafos amigos. Aí, as marcas nem investem mais em publicidade. As revistas estão ficando extintas e, para ajudar, tem um exército de novos fotógrafos jogando o preço do trabalho lá pra baixo.

Quais são os teus objetivos para o futuro?

Estou fascinado pelo mundo da navegação. Comprei um barquinho e estou começando a pescar, fazendo cursos ligados a navegação, velejando. Se eu conseguir juntar uma grana – e estou batalhando para isso – um dia vou comprar um veleiro e viajar o mundo.

Para finalizar, você é tão bom no surf quanto na fotografia?

Acho que sou regular no surfe e bom na foto (risos).

NO DROP

Melhor Trip: Fiji

Música: reagae, rock e blues

Prato predileto: arroz, feijão e a mistura do dia… (risos)

Família: família é a base de tudo na vida

Surf: até morrer ou morrer surfando… (risos)

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